Quinta-feira, Julho 23, 2009, 12:40 PM

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Sábado, Agosto 19, 2006, 5:23 PM
Recebido e anotado durante as cerimonias mágicas conduzidas pelo mago John Dee e o vidente Edward Kelley no século XVI, o sistema da Magia Enochiana sobreviveu praticamente desconhecido ate o final do século XIX, quando foi incorporado aos ensinamentos iniciáticos da Hermética Ordem da Aurora Dourada. É considerado como o mais eficiente e poderoso sistema mágico conhecido e é fundamental para o entendimento de Thelema e da vida e obra do maior mago da era moderna, Aleister Crowley.
ÍNDICE
Teoria e História
Introdução: Magia, Misticismo e Teurgia
John Dee e as Origens do Sistema Enochiano
A Formulação Mágica da Aurora Dourada
A Visão e a Voz de Aleister Crowley
Magia
O Sistema Enochiano
Como Usar o Sistema Enochiano
Misticismo
O vôo da alma [Os 30 Aires Enochianos]
Teurgia
O Sigilo dei Aemeth
Apêndice
O Alfabeto Enochiano
As Divindades dos Quadrados
Os Sigilos dos Governadores
O Sistema da O.T.O.
Uma introdução ao Sistema da A.: A.:
Liber OZ
Bibliografia
Apenas R$: 34,00
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http://www.cursosdemagia.com.br/livro2.htm
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Sábado, Maio 14, 2005, 1:19 AM
Ars longii, vitae brevis.
Com o trabalho maravilhoso do Frater Horus Menthu e do Estúdio Fatomas, saiu meu novo blog:
www.enoque.blogger.com.br
See you, et carpem vitae.
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Quinta-feira, Abril 28, 2005, 5:06 PM
Enquanto o diabo do meu blog novo não sai, resolvi postar esta letra do Motorhead, que também foi gravada pelo Sepultura. Já usei como invocação em um ritual de Chaos Magick. A ilustração é do Giger, chama-se "The Magus".
ORGASMATRON
I am the one Orgasmatron
the oustreched grasping hand
my image is of agony
my servants rape the land
obsequious and arrogance
clandestine and vain
two thousand years of misery
of torture in my name
hypocrisy made paramount
paranoia the law
my name is called religion
sadistic
sacred
whore
I twist the truth
I rule the world
my crown is called deceit
I am the emperor of lies
you grovel at my feet
I rob you and I slaughter you
your downfall is my gain
and still you play the sycophant
and rebel in your pain
and all my promises are lies
all my love is hate
I am the politician
and I decide your fate
I march before a martired world
an army for the fight
I speak of great heroic days
of victory and might
I hold a banner drenched in blood
I urge you to be brave
I lead you to your destiny
I lead you to your grave
your bones will build my palaces
your eyes will stud my crown
for I am mars the god of war
and I will cut you down
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Quarta-feira, Março 16, 2005, 4:58 PM
O trecho que se segue é do livro "Tantra: The Path of Ecstasy" do Georg Feurstein, indicado recentemente pelo meu querido amigo Pedro Ribeiro. Parece que minhas sincronicidades com a Deusa Negra não terminaram com as iniciações da Croatia...
Quem faz um trabalho mágicko muito profundo com as várias faces da Deusa é a Lízia Azevedo, o site dela está no link "A Peregrina", aí do lado.
KALI
Mesmo uma curta introdução sobre a visão Tantrica sobre o Tempo seria incompleta sem a introdução da Fêmea Divina, ou Shakti, em sua mais aterradora manifestação como a deusa Kali. O nome é a forma feminina de kãla, significando "tempo", "morte" e "negro". Estas três conotações estao todas unidas no simbolismo da deusa Kali. O negro resulta da absorção de todas as cores, enquanto que branco é sua co-presença. O santo Ramakrisna, guru do Swami Vivekananda, ofereceu uma explicação complementar de um devoto para o nome Kali quando observou, "Vocês a vêm negra por que estão longe dela. Aproximem-se e vocês a encontrarão desprovida de toda cor." No Evangelho de Sri Ramakrisna, que narra a vida e os ensinamentos deste grande mestre do século 19, encontramos o seguinte hino:
"Na densa treva, oh Mãe, Tua beleza sem forma cintila
Por isto meditam os yogis em uma escura caverna da montanha.
No colo do escuro sem limites, nas ondas de Mahanirvana erguida,
Paz flui serena e inexaurível.
Tomando a forma do Vazio, no robe da escuridão envolta,
Quem és tu, Mãe, sozinha sentada no santuário do samadhi?
Do Lótus do Teu pé que espalha o medo brilham os relâmpagos do Teu amor
A Face Espiritual resplandece com gargalahdas terríveis e altas!"
Absorver, devorar ou destruir o universo é uma das terríveis funções da deusa negra. Ela traz morte não apenas para o indivíduo mas para o próprio ovo cósmico no qual os indivíduos, elevados ou inferiores, vivem suas respectivas vidas separatistas de novo e de novo. No Mahanirvana-Tantra a deusa é chamada de a yogini suprema por que no fim dos tempos ela devora o próprio devorador do tempo, Shiva na sua forma de Mahakala.
Em muitos templos de Bengali e do Nepal, Kali é representada como um bloco de pedra negra ou azul. Em sua forma humana, a iconografia Hindu mostra Kali como uma fêmea de olhar feroz, cujo corpo nu pisa o corpo de seu divino parceiro Shiva, que tem a pele cinza e o pênis ereto. Seus olhos estão bem abertos e sua longa e vermelha língua sai enorme de sua boca de dentes pontudos, pingando sangue. À volta de seu pescoço ela usa uma grinalda com 50 caveiras humanas, ao redor da cintura uma cinta com mãos humanas. As caveiras significam as energias fundamentais do cosmos (também representadas pelas 50 letras do alfabeto Sanskrito), as mãos simbolizmam as ações e suas fruições karmicas. No meio da sua testa está um terceiro olho, indicando a sua onisciência. Ela tem geralmente quatro braços, mas versões com dois, seis, oito e dez também são conhecidas. Uma mão esquerda segura uma cabeça humana cortada segura pelos cabelos, sugerindo a morte da personalidade-ego que deve preceder a liberação; na outra mão esquerda segura uma espada sangrenta que corta todas as ligações com o mundo. Uma mão direita está no gestro que dispersa o medo, a outra no gesto da benção. Ao redor de seus tornozelos, pulsos e braços estão serpentes que são símbolos tanto dos ciclosa temporais quanto do conhecimento arcano que libera o iniciado do tempo e do espaço mas que é perigoso para o não-iniciado. As serpentes também estão associadas com as a misteriosa kundalini-shakti, a energia serpentina psico-espiritual que reside no corpo humano como instrumento tanto de servidão quanto de liberação.
"Eu adoro a primeva Kalika, cujos membros são como nuvens de chuva,
que tem a lua em sua corôa, que tem três olhos, vestida de vermelho,
que ergue suas mãos em benção e dispersando o medo,
que senta em um lótus vermelho aberto,
com sua bela face sorridente voltada para Mahakala,
o qual, embriagado com doce vinho, está dançando diante Dela."
Mahanirvana-Tantra.
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Quinta-feira, Março 03, 2005, 1:07 PM
A Peregrina
"Viver aberta ao sobrenatural representa viver mais intensamente. Ao mesmo tempo, significa sofrer todas as tempestades."
Devem fazer uns dez anos, talvez, desde que li "O Poder de Domar do Grande". Era na época leitor ansioso de Paulo Coelho, e foi com alegria que descobri que ele tinha uma discípula, e que ela havia escrito um livro contando suas descobertas e aventuras no Caminho da Magia. O texto superou muito as minhas expectativas. A Lízia é uma escritora de estilo elegante, e que prende a nossa leitura do começo ao fim. Ela permite que nos angustiemos com suas angústias, nos questionemos com ela, enfrentemos os perigosos desafios da loucura e da tentação, e, por fim, com a graça divina, cheguemos ao final feliz do caminho bem percorrido. Foi assim com o primeiro livro, onde, entre outras coisas, a acompanhamos pela rota antiga de Santiago de Compostela, e é assim também com a sua peregrinação a Lourdes em "O Caminho dos Dons", onde conta dos perigos espirituais e materiais que teve que ultrapassar para encontrar seu Bastão. Ela nos envolve em sua estória, e com sutileza nos ensina a fé simples de confiar no Universo e seguir seus sinais. A arte difícil de conduzir uma luz nas sombras.
O seu terceiro livro é uma fábula adorável, que nada deixa a desejar aos pequenos clássicos como "O Pequeno Príncipe" e "O Menino do Dedo Verde". Seu título é "Raphael", e foi inspirado em uma visita que ela fez ao paranormal Thomas Green Morton.
Lizia Azevedo tem um site muto bem feito, basta clicar aí ao lado no link "A Peregrina".
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Terça-feira, Janeiro 18, 2005, 7:26 PM
À princípio, este deve ser o último post aqui da Cela... Não, não vou deixar de publicar minhas abobrinhas, e nem tão pouco as berinjelas e demais legumes... é que, na seqüencia das minhas Iniciações ao IV, P.I. e K.E.W na O.T.O. , na Loja Mirrash em Zagreb, resolvi fazer um blog novo, também para cumprir com a minha nova obrigação de Probationista da A.:A.: . Assim que meu querido Frater Hórus Episkopos terminar o lay out.
Cavaleiro do Oriente e do Ocidente.
Como bem se sabe, à parte de lendárias buscas na área do Templo de Salomão e guarda de segredos fantásticos, a Ordem dos Cavaleiros Templários foi formada no século XII para auxiliar e proteger a peregrinação à Terra Santa.
A viagem até um lugar sagrado, a jornada iniciática e a busca xamânica são representações arquetípicas de um antiguíssimo impulso, a programação genética para a migração presente em tantas espécies e que levou nossos ancestrais do interior da África para todas as partes do mundo... que vai levar nosso herdeiros às estrelas.
Desci em Roma, antiga capital do Ocidente dia 10 de Novembro, e dirigi até a Croácia para receber as iniciações do IV Grau, do Perfeito Iniciado e do Cavaleiro do Leste e Oeste, que encerraram um longo ciclo começado em 16 de Novembro de 1996, quando fui recebido como Minerval no Oásis Sol do Sul da Ordo Templi Orientis.
Como magista, tenho muitas dúvidas. De fato, a experiência desses quase vinte anos de práticas ritualisticas me fizeram perder mais e mais ilusões, abrir mão de certezas e teorias, de muita fantasia e ilusão. O que me resta é um esqueleto de poucas certezas, como o fato de que é possível causar certas alterações nas probabilidades dos eventos, de que comunicação telepática entre seres vivos acontece, e que alguma coisa, cuja natureza real desconheço, parece se comunicar através de símbolos e sincronicidade conosco, desde que você se disponha a isso. Assim, os três símbolos que tem aparecido constantemente para mim nos últimos meses foram finalmente compreendidos durante as três iniciações de que participei em Zagreb. Muitas vezes durante as cerimônias um largo sorriso no meu rosto parecia dizer: ah, então era isso?! Mas sobre os Três Símbolos eu me calo agora, para proteger a surpresa dos futuros iniciados.
Após as iniciações, que tiveram lugar na Loja Mirrash do dia 13 ao 14, assisti à Missa Gnóstica, depois de quase cinco anos ausente, desde que vim para a África. A Missa é um Sacramento cujo valor real não se consegue apreender em toda uma vida. Seu Mistério é profundo, e as energias que se fazem presentes não só iluminam a alma como afetam de forma poderosa o próprio funcionamento do nosso corpo. Pois este é um segredo vital do Eremita: a transformação do corpo para que o Mistério da Iniciação possa ocorrer. Esta é uma Ciência ainda muito desconhecida, do qual se sabe muito mais da Prática do que da Teoria, mas tenha a certeza de que a Carne deve ser preparada para que se conheça o sabor do Espírito. E a Missa da Ecclesia Gnóstica nos ensina e prepara para isso.
Saído da Missa comecei a seguir novamente a trilha dos sinais... Como Cavaleiro Templário cumpri a ordália de acompanhar e proteger uma peregrina, uma irmã da Ordem que precisava retornar a Torino com rapidez. De lá voltei a Zagreb e, guiado pelo Irmão Pyramis, iniciei uma jornada até a memória de meus ancestrais. Pernoitamos em uma caverna onde os avós do homem se abrigavam e cultuavam símbolos fálicos, e lá invocamos os arquétipos de Thelema e as forças da Lua e da Água. Já nas ruínas de uma antiga fortaleza Templária, escalei os restos de uma Torre e invoquei o Sol e o Ar. Visitamos o Acampamento da Ordem na cidade de Split e chegamos até a Cidade Invencível, Dubrovnik na costa do Mar Adriático - uma cidade notável pelo fato de nunca ter sido tomada pelo inimigo. Uma estranha ponte cruza o abismo na entrada da cidade, e sua forma arquitetônica lembra as pernas abertas de uma grande mulher... para mim, entrávamos simbolicamente em Binah, ainda mais que a Cidade é quase que toda cercada pelo mar. Eu era um cavaleiro em busca do Graal, a Taça de Nossa Senhora BABALON, e pressenti que estava perto de o encontrar.
E realmente encontrei, uma Taça exatamente como eu imaginava, e com símbolos que me revelaram algo desse Mistério. Com o objeto de valor em minha bolsa, em segredo retornei a Zagreb e, afinal, pude entregar a Copa nas mãos da Sacerdotiza, cumprindo um antigo rito cujas origens somem no passado... Fui um novo Parzival e descobri a resposta do enigma que se apresenta no Castelo Perigoso.
Assim terminou a primeira parte da viagem. O Dizionari dell'Arte que depois achei em Roma diz "Il viaggio rappresenta la dimensione della scoperta e dell'iniziazione e si presenta come un itinerario fantastico nel regno dell'Aldilà o in regione inesplorate." De fato... retornei a Roma para encontrar o Irmão Gimel, que vinha do Brasil, conhecer a Loja que há na cidade e fazer aquele turismo básico, que ninguém é de ferro: o Colosseum, a Fontana de Trevi, o Vaticano... e também assumir o compromisso de Probacionista da A.: A.:.
De Roma fomos a Florença, uma das mais belas cidades da Itália, onde encontramos com os iniciados do Oásis Teth. Para mim foi muito importante conhecer tantos Irmãos e Irmãs de países e cidades diversas, aprendendo mais sobre a Ordem e sua importância. Procurava em Florença a Storia dell'Anticristo, uma série de pinturas cuja referência havia encontrado no livro Devils da Taschen, mas ninguém sabia nada a respeito na cidade. A solução foi achar o livro em um livraria, para descobrir que essas pinturas estavam na cidade de Orvietto, há duas horas de carro. Lá fomos, e valeu muito a pena. Esses afrescos se encontram no Duomo da cidade, uma das igrejas mais fantásticas que já vi (tanto quanto a Catedral de Salamanca, embora de estilos bem diversos). Foram pintados por Signorelli, que iniciou sua obra em 1499, e mostram cenas do Final dos Tempos, incluindo a Regência do Anticristo. São três cenas, onde o Anticristo aparece pregando, ressuscitando um morto e assistindo a decapitação de um mártir cristão. Ao vivo a cena principal, a da pregação, dá a notável impressão de que o Anticristo é um desses bonecos de ventríloquo, com o Diabo que lhe sussura no ouvido o controlando. (Quem olhar para a cena, preste atenção no detalhe do braço esquerdo.) Isso me fez lembrar dos mitos ocultistas sobre Hitler.
Depois fomos assistir à apresentação de um xamã norte-americano, da tribo dos Yaquis... O tipo da ocorrência inesperada que nos traz a ilusão de estarmos, realmente, seguindo um caminho mágicko... encontrar um xamâ de verdade em uma cidade fria no meio da Itália. O cara mandava muito bem, colocava muita força nos cânticos e no uso dos seus instrumentos sonoros. Imaginei como deve ser essa sua peregrinação de Louco pelo Mundo... e em como deve ser importante para o universo que ele esteja levando sua Magick pelo Mundo, tentando despertar algo nas pessoas. Não é esse o segredo do Atu do Aeon?
Orvietto fica no alto de uma montanha, e um Papa disse que ela seria inconquistável, a não ser por um longo cerco, se seu povo fosse unido... algo para tantos thelemitas pensarem antes de perderem tempo abrigando entre si... Fica na antiga região habitada pelos misteriosos Etruscos, que a dominavam antes dos romanos. No Museu Etrusco da cidade encontrei vasos conhecidos como do "Ciclo de Vanth", sendo Vanth uma antiga deusa do mundo subterrâneo. O que me chamou atenção foi o fato de que ela era representada como uma mulher em um trono, segurando um pergaminho com algo escrito, sendo assim a mais antiga representação que conheço do arquétipo representado no Atu da Sacerdotiza. E os artesãos etruscos pintavam figuras de homens alados, muito antes dos anjos cristãos.
Pernoitamos em Roma, para adquirir um certo Sacramento, uma Chave Mágicka... e, saindo às três horas da tarde, dirigimos até o Estreito de Messina , pegamos o ferryboat e nas primeiras horas do dia 2 de Dezembro estávamos em Cefalú... e acredito que todo thelemita sabe para que...
Subimos a Rocha de Cefalú até as ruínas do antigo Templo de Diana . Ao seu lado existe uma capela abandonada do século IX, a Chiesa de Santanna... a Lua continuava a fazer noites claras desde a minha ida a Dubrovnik e, quando iluminamos o chão da igreja... descobrimos um Círculo Mágicko pintado, com as seguintes palavras:
ABRAHADABRA - THELEMA - PHOENIX - NUIT - HADIT - RA-HOOR-KHUIT - CHAOS - BABALON
Passamos a noite no local, executando certos rituais e sacramentos. Quem quer que tenha feito o Círculo deixou o local com uma boa energia, leve e colorida. E, mais uma vez, tive que meditar sobre a forma pela qual as gerações nos deixam a herança de seus esforços, e a responsabilidade pelo futuro da Humanidade que caracteriza um verdadeiro Chefe Secreto... se eles realmente existem.
Quando o dia raiou, terminamos a subida até o antigo castelo no topo da montanha, compramos uvas e, afinal... fomos à Abadia de Thelema.
Ë claro que tiramos muitas fotos... apesar de ter talvez perdido parte delas, pois minha máquina portátil deu um problema, Frater Gimel também tirou várias, assim que forem reveladas e scanneadas publico aqui. É uma casa pequena, é preciso pular uma cerca no fundo de um estacionamento e atravessar alguns arbustos. Só é possivel entrar pela janela, e esta dá para a sala principal, onde estão as pinturas feitas por Crowley - o que resta delas. Há um cômodo à esquerda e outro em frente, mais uns dois depois deste, onde o teto caiu. Bastante entulho. Na sala das pinturas existe um pequeno altar, que alguem deixou lá, e, devidamente paramentado, executei uma versão do Liber Samekh, o que achei bastante apropriado, já que Crowley o preparou quando estava em Cefalú. Foi como o fechar de um círculo... Eu não lembrava, mas isto tudo no dia do aniversário da sua morte... como Frater Gimel me recordou já em Agrigento.
Eu estava muito feliz por estar lá, era um sonho muito antigo e, agora, escrevendo sobre isto tudo, acabei mesmo ficando emocionado.
Tenho pensado muito na importância da continuidade da cultura, pensei nisso toda a viagem... Em como o sonho de um homem, iniciado a 100 anos atrás, me fez viajar até a Croácia e até a Sicília, em como seus escritos ocupam minha mente todo o dia, em como ter aberto um dia o Gems of the Equinox e ter descoberto o Conhecimento e Conversação com o Santo Anjo Guardião e todo o fascínio da Magick mudaram e formaram toda a minha vida desde 1992. Eu me inclino muito à conclusão de que não existe vida após a morte, mas, se assim fosse, gostaria que Aleister Crowley soubesse que, embora oculto em uma máscara de tristeza, ele realmente valeu.
Muito.
De Cefalú fomos para Palermo e Agrigento. Em Agrigento, pátria de Empédocles, visitamos à noite os Templos de Concórdia, de Juno e de Herakles. Nossa intenção era lá realizar o Grande Sacramento desta viagem, mas o lugar não era propício, por causa de toda estrutura turística. Pegamos o carro e voltamos a Cefalú.
O que mais posso dizer? O Sacramento era poderoso, e a Cerimônia durou por várias horas intensas. Comecei isolado, em uma ruína menor que dediquei à Nossa Senhora BABALON, mas deixei depois o local porque havia ficado com algo que achei que faria falta ao Frater Gimel. Foi como deixar Binah para ajudar alguém em Malkuth, e, na Chiesa de Santanna com seu Círculo Mágicko, Frater Gimel havia acendido uma vela no Altar. Ele estava bem, e fui então ao Templo da Lua, mas, como não sabia invocar adequadamente a Deusa Diana, fui levado a deitar na curva da trilha. Interpreto isso como ainda não tendo dominado perfeitamente as Sendas do Mundo e da Lua que levam a Yesod. Mas, afinal, sou apenas um Probacionista.
Voltei para a Chiesa, onde passei por muitas trasnformações e aventuras, revivendo várias vezes o ciclo de ser Criança e de ser Velho, confrontando sem defesa algo que vinha me corroendo por dentro, erros do passado que não me deixavam morrer em paz. Estava muito frio lá... Frater Gimel preparou uma cama com os restos de uma mesa, na salinha ao lado do altar e me deitou lá... meu querido amigo, que o destino escolheu para me conduzir e proteger até ali. A salinha virou imediatamente uma câmara mortuária, com longas paredes góticas, e nela me vi várias vezes como cavaleiro, como monge, como soldado romano, como moribundo... tive que fazer as pazes como meus erros, e, sabendo, é claro, que não ia morrer de verdade, repeti várias vezes meu discurso de desculpas a uma pessoa que, um dia, me foi por demais cara, mas, que como eu, é apenas um ser humano frágil - e agora eu sei bem melhor como é difícil ser humano.
Eu fui mutas coisas lá naquela capela deserta de Cefalú, fui bicho e, em alguns instantes, pensei saber o que é ser um Chefe Secreto... Mas de realmente útil aprendi que tenho dado ao Mistério de Binah mais importância do que o momento pede, e que tenho que me concentrar na Revelação de Tiferet.
No final de tudo, quando já havíamos descido para cidadezinha deserta, sentado na escada de uma outra igreja, tive um vislumbre daquilo que se chama Santo Anjo Guardião, algo de extraordinária Beleza, e que, para minha vergonha, está sempre lá, basta apenas a tarefa delicada de se colocar no estado adequado... e aprendi que é realmente necessário se equilibrar e entender as quatro sephiroth da Taça Menor, para que o Mistério de 666 se faça revelar.
É engraçado... comecei essa viagem querendo aprender a ser divino. Terminei sabendo que preciso aprender a ser mais humano.
Ao Trabalho, então.
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Segunda-feira, Novembro 08, 2004, 1:13 PM
A Fonte e o Mendigo
"Now you shall know that the chosen priest & apostle of infinite space is the prince-priest the Beast ; and in his woman called the Scarlet Woman is all power given."
"Yet there are masked ones my servants : it may be that yonder beggar is a King."
No Caminho da Magick é preciso saber se decepcionar. Faz parte da necessária experiência e sabedoria de Malkuth realizar seus desejos, e aquele que não se torna rico no Reino não verá nem o Trono e tão pouco a Corôa. Por que todo homem e toda mulher partilha do segredo das duas Sendas esquecidas, A Fonte e o Mendigo.
Da Fonte agora sabemos que cruzava o Abismo indo do Entendimento à Misericórdia, e indicava a água oculta de Binah jorrando para dentro da Criação. Seu Atu mostrava uma fonte de água composta pela imagem de Três Jovens Mulheres. Seu segredo e virtude está no Nome BABALON.
O Mendigo ligava a Sabedoria ao Rigor, e foram muitas as lendas sobre deuses e reis caminhando pelo Mundo para testar a bondade dos homens. Ele representa a presença de Deus nas coisas mais simples e mesmo feias, e rejeitar o divino em seus muitos disfarces é experiência de terríveis consequências. Sua fórmula é ABRAHADABRA.
Estou, mais uma vez, de partida... ainda e sempre, benza Deus, em busca daquela experiência inefável que de há muito advinhei. Mais perto, e tenho catado com atenção as moedas de ouro que o Anjo vai deixando para marcar o Caminho. Sinais.
Agora sei um pouco melhor que é algo que aos poucos se revela, à humanidade e a mim, que tem tecido a tapeçaria de signos que é hoje a Kabbalah, o Tarot, a Magick que a tudo abarca e ensina. Assim, um Livro Quarto veio, afinal, parar em minhas mãos, para ensinar Segredos do Abismo, suas Sendas não numeradas, na lenda de uma viagem à Côroa da Criação onde o Rei que existe em todo Mendigo afinal se revela a si mesmo e diz
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Sábado, Setembro 11, 2004, 5:29 AM
MATÉRIA, PSIQUE E CHACRAS
Segue um trecho do livro "Jung & Reich: O Corpo como Sombra" de John P. Conger; me chamou a atenção porque repete uma conclusão a que cheguei sozinho, tempos atrás, raciocinando sobre a base biológica e física da mente. Essa "navegação às origens imediatas do ser" é importante, entre outras coisas, para prevenir a ridícula obssessão de influência psicanalítica que tende a ver referenciais como "o falo" na ordem inversa dos significados, ou seja, vendo um caso particular como referencial normativo. Assim, por exemplo, o "falo" é uma adaptação evolutiva a partir das características da matéria, e não um arquétipo essencial. A maior parte das pessoas deixa escapar que a origem dos instrumentos de corte e de perfuração muito provavelmente copiou das presas, das garras e dos espinhos, e não da penetração da fêmea pelo macho... Também a dúvida sobre a natureza sexual da libido, onde Jung diverge de Freud, torna-se clara quando damos conta de que nosso corpo produz e se sustenta a partir de dois tipos de energia, ambas ocorrendo no Universo desvinculadas do processo orgânico (logo, desvinculadas de desejo): calor e eletricidade, que nosso aparato fisiológico está preparado para converter em movimento muscular. (O quê permite uma interessante comparação com as passagens do Livro da Lei onde Hórus, deus da "Force & Fire", diz ser "the strenght, vigour of your arms"). E a produção de ambas se dá através de processos químicos, pelos quais são extraídas da matéria. Reich imaginou uma energia viva pré-consciente abundante em toda parte, que chamou de Orgônio, mas suas experiências com supostos fenômenos luminiscentes falharam em dar a esse substrato de vida pré-orgânica uma validação científica, e, sendo esses fenômenos visíveis a olho nu, como afirmou, é de se estranhar que não tenham sido identificados por nenhum outro cientista em dias nos quais já se conhece a matéria a nível subatômico. A Visão do Orgônio de Reich deve pertencer à classe de fenômenos psíquicos que eram experimentados nos laboratórios de Alquimia, quando a ignorância sobre os fatos da matéria permitiam a projeção das fantasias do inconsciente. Quando estive excursionando pela Serra de Ibitipoca há alguns meses atrás, li em um jornal científico sobre dois fenômenos interessantíssimos, um dos quais diretamente relacionado ao enigma do Orgônio. As areias fluviais de Ibitipoca são feitas de um tipo especial de cristal, que, quando pressionado pelos sapatos, emite uma luminiscência azulada, que lembra muito as descrições do Orgônio de Reich. Entretanto, a Física hoje conhece os fundamentos do fenômeno, que é basicamente elétrico. O outro fenômeno que lá ocorre são os relâmpagos circulares, esferas de energia elétrica que podem permanecer extáticas no ar, ou se mover e até explodir. Donde se vê que, ao contrário do que Jung conjecturou, os fenômenos OVNI podem ter uma explicação física mais simples e não serem a projeção de visões unificadoras do nosso inconsciente na vastidão do céu.
Sobre minha metodologia: o fim está contido no princípio... O quê significa duas coisas, no processo de entendimento do fenômeno humano: a análise dos fatos genéticos-evolutivos e a análise da realidade física do Universo. A segunda, inclusive, fundamenta a primeira, o quê significa dizer que são os fenômenos do atual conjunto de matéria-energia-espaço-tempo que permitem e fazem que sejamos como somos, que pensemos como pensamos. Este conjunto é apenas nossa descrição da macro-aparência da realidade quântica, onde, desconfio, se encontra a base comum que origina tanto o fogo quanto a gravidade. Mas esta expressão vem da Astrologia, onde se referia a que a vida e a morte ("o fim") do indivíduo se encontram prefiguradas no mapa natal ("o começo"). Trata-se de analisar a impressão causada pelos astros na hora do nascimento, uma programação impressa na própria matéria do corpo, que vai se manifestar contra ou a favor dos trânsitos futuros, e que Artes como a Alquimia e a Magia pretendem poder alterar, da mesma forma como a Engenharia Genética se propõe a modificar nossa herança familiar.
Segue o trecho:
"Jung dizia que o símbolos podem refletir a fisiologia arcaica do corpo ou podem ser mais diferenciados, refletindo o caráter mais consciente. No corpo humano reside todo um acervo de símbolos, dos mais primitivos aos mais diferenciados; assim sendo o símbolo da serpente que aparece em uma fantasia ou sonho está diretamente relacionado com a função corporal:
Mais especialmente, a ameaça ao próprio Self mais interior, por dragões e serpentes, aponta para o perigo de que uma consciência recém-adquirida seja novamente tragada pela psique instintiva, o inconsciente. Desde tempos imemoriais os vertebrados inferiores têm sido os símbolos por excelência do substrato psíquico coletivo, que está anatomicamente localizado noscentros subcorticais, cerebelo e medula espinhal. Esses órgãos constituem a serpente. Portanto, sonhos com cobras costuma ocorrer quando a mente consciente está distante de suas bases instintivas.
Jung pensava que, com o sistema simpático, a pessoa penetra no inconsciente coletivo profundo, onde talvez psique e matéria partilhem da natureza uma da outra:
As "camadas" profundas da psique perdem singularidade conforme se recua progressivamente na escuridão. "Mais para dentro e para baixo", equivale a dizer que, conforme se aproximam os sistemas funcionais autônomos, elas vão se tornando cada vez mais coletivas, até se tornarem universalizadas e se extinguirem na materialidade do corpo, ou seja, em substâncias químicas. O carbono do corpo é simplesmente carbono. Por isso, "no fundo", a psique é simplesmente "mundo".
Reich estabeleceu sete segmentos do corpo em que a couraça se instala, as contrações segmentais que formam ângulos retos com o fluxo da energia pelo corpo. Em contraste com esses focos de sombra, os sete chacras são há séculos conhecidos como importantes centros psíquicos da cosnciência. Historicamente, os chacras têm sido ilhas de luz num oceano escuro, refúgio daqueles que, através de habilidades desenvolvidas, tentaram ir mais além do corpo-sombra. Como centros de consciência, nossa tendência, nas palavras de Harish Johari, é "entender as situações da vida do ponto de vista do chacra no qual costumamos nos sentir masi à vontade e identificados".
Em uma série de seminários sobre os chacras, realizado em outubro de de 1932, junto com o dr.J.W.Hauer, Jung esboçou suas concepções sobre o significado desses centros energéticos em relação ao seu próprio sistema de pensamento. O primeiro chacra, muladhara, localizado no períneo, nos relaciona com o mundo. Associado à nossa sexualidade, também representa nossa "raiz de apoio", nosso fundamento. Nossa consciência é meramente o lugar do ego. Estamos adormecidos se não nos movermos mais adiante. O primeiro chacra representa a terra.
O segundo chacra, svadhisthana, representando a água e situado no plexo hipogástrico e nos genitais, é o passo rumo ao inconsciente, o oceano em que vive o leviatã, em que a pessoa deve enfrentar a sua batalha de herói, como Beowulf lutando nas profundezas das águas com a mãe de Grendel. A luta com o monstro pode levar à aniquilação, mas também representa um batismo, uma fonte de regeneração após a destruição dos velhos modos. O mito do sol é uma história batismal. O sol vespertino está velho e fraco e por isso morre, descendo para dentro do mar ocidental, onde acontece a jornada marítima noturna até renascer no horizonte oriental. A jornada ao incosnciente só é possível se a pessoa tiver despertado a grande serpente, kundalini, que só será mobilizada pela atitude correta. Como a viagem é longa e perigosa, um compromisso trivial não adiantará nada. Devemos nos encaminhar decididamente às profundezas, caso contrário devemos retroceder. Psicologicamente, a kundalini é o que nos faz embarcar em grandes aventuras. Se o cavaleiro arrisca a vida pela dama, então a dama é a kundalini. O segundo chacra é o útero do renascimento, e é intensamente feminino.
Quando o sol emerge e seus róseos dedos são vislumbrados na aurora como jóias no céu, o terceiro centro é alcançado - manipura - e este representa o fogo e as emoções; está situado no plexo solar. Depois de liberar todo o mundo emocional do sexo e do poder, a pessoa deve vir à tona no fogo que representa o divino. Aquele que não consegue sobreviver no fogo, ser por ele excitado, é mera sombra. No plexo solar, convém que a pessoa esteja viva no fogo, porque não há liberdade, não há ar, só ossos, músculos, sangue e intestinos. Aí o individuo é como uma minhoca. Emergir dessa inconsciência é enfim alcançar a superfície da terra, indicada pelo diafragma.
A seguir, alcança-se o quarto centro, anahata, ou coração, o quarto elemento, ar, representado pelos pulmões, que absorvem e expelem energia - vinculando os mundos externo e interno. O sopro vital é nosso vículo com o Espírito Divino e toca todos nós, em todos os pontos do planeta, e nos vincula, para além do ego, com todas as coisas vivas. A pessoa elevou-se acima da terra finalmente e, no anahata, começa a individuação. A individuação é o processo que nos leva a nos centrar em algo que não é mais o nosso ego. O ego está no primeiro chacra, aquele em que nos enraizamos na terra, o muladhara, enquanto que o Self está no coração. Cruzar o diafragma nos conduz do visível ao invisível, ao intangível, às coisas psíquicas. Pensamentos e sentimentos se reunem no coração, onde se reconhece valores. Alcançamos um nível de civilização e de desenvolvimento pessoal. Passamos a conhecer o poder dos fenômenos psíquicos. No nível do coração passamos a saber que somos contidos por algo maior do que nós mesmos, cuja existência é exclusivamente psíquica.
No quinto nível, centro laríngeo ou visudha, a pessoa passa a saber que as essências psíquicas são as essências fundamentais do mundo. Nele aprendemos a reabsorver as projeções que colocamos no mundo, que nosso pior inimigo é um mero veículo para nossa própria projeção.
No centro ajna, o sexto, ou o terceiro olho, o deus que dormia no muladhara está plenamente desperto, e a psique, a semente alada, pode voar. Ou seja, a função intuitiva está desperta e vê as imagens e a energia que governam nossas vidas.
O sétimo centro, sahasrara, ou chacra coronário, é representado pelo lótus de mil pétalas. Nele alcançamos o último portal de acesso a iluminação. O chacra da coroa é a passagem a uma outra dimensão da realidade, para nossa conexão com o que é durável e eterno, e com a experiência mística dos adeptos que nos precederam através dos séculos. Em virtude do avanço representado pelo conhecimento desse nível, e também pelas experiências intraduzíveis já relatadas - experiência do nada, por exemplo -, somos reduzidos à generalidades e ao silêncio.
Os chacras fornecem imagens estranhas à biologia do século XX, imagens de enorme poder e de precisão inacreditável, que agem sobre nós. A serpente da vida desenrola-se na escura pelve de nosso inconsciente e nos imobiliza, atravessando os centros de lótus que ligam as trevas à luz, nosso inconsciente e nosso estado vígil. Todos os deuses, deusas e demônios estão em nós e nossos corpos se abrem para o cosmo.
Em 1933 Heinrich Zimmer, professor de indianismo, falou sobre ioga tântrica na primeira conferência de Eranos, na qual Jung também apresentou um trabalho. Disse Zimmer nessa ocasião:
Todos os deuses estão em nosso corpo; nada mais quer dizer o esquema visual da ioga Kundalini, cujo adepto orienta a serpente do macrocosmo geradora do mundo, multiplicadora do mundo, a sair de seu torpor nas profundezas, e subir por todo o corpo até seu oposto supraterrestre. Em seu caminho ascendente, passa através dos centros de lótus do corpo, nos quais são reunidos todos os elementos, o material a partir do qual a força vital informe cria todas as formas e todos os gestos, e nesses mesmos centros são vistas e adoradas as formas manifestas como aparições da divindade, assim como as facetas de suas shaktis (poder feminino)."
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Sábado, Agosto 28, 2004, 4:53 PM
Com toda sinceridade, não sei se a argumentação que segue é original ou não; minha mente é uma catedral, um labirinto e uma vasta biblioteca, onde um homem com asas e cabeça de leão, carregando sempre um grande círio ou uma tocha, me guia por corredores que se transformam em cavernas, repletas de pinturas de criaturas híbridas de pesadelo, sigilos de magia e umidade fecunda. Enquanto avança rumo à simplicidade quantica, ele se transforma em pássaro e cobra, em sapo e, afinal, movendo em minha direção as antenas de uma barata devoniana, sobre a Pedra me doutrina. Esse totem de milhares de séculos que sou eu mesmo. Pois os que buscam o Self e o Anjo, não foram longe o bastante.
Mas não se resume a isto a vasta geografia interior. Existem florestas escuras e úmidas, que dão em trilhas de pedra e grandes megálitos, que abrigam em ocasiões diferentes seres diversos que trilham por universos e acabam transitando em mim. Eles podem ter a forma de moscas ou de duendes, e, capturados na teia das vibrações, não têm outra escolha além de serem hóspedes por um prazo.
Assim, pode bem ser que tenha lido esta comparação em alguma outra parte.
O CARÁTER VIRÓTICO DAS RELIGIÕES.
A primeira semelhança entre as religiões e as viroses se dá na forma de contágio. É bem sabido como os religiosos sempre se preocupam com a formação das crianças, com o amparo aos doentes e sofredores. Isto parte de uma razão simples: assim como são os que estão mais vulneráveis aos males do corpo, são também os que têm menos condições de resistir às idéias que lhe são dadas. Usando a capa da bondade, a doença se insinua no coração dos desatentos.
(Seria então indesejável a solidariedade? Claro que não. Mas, como veremos a seguir, é característico das doenças tornarem úteis a si aquilo que nos é natural, e a solidariedade é uma tática natural de preservação da espécie. Somos solidários antes de sermos religiosos, e a Natureza nos fornece exemplos de solidariedade mesmo entre diferentes espécies).
Contraída a crença, esta rapidamente se espalha e procura ocupar todas as áreas existentes. Esta é a segunda semelhança: assim como o vírus se espalha pelo corpo, prejudicando todas as funções, a crença tenta dominar toda a vida psíquica do indivíduo, o incentivando com uma febre nova: ela quer ocupar suas programações sobre dieta, dizendo o que comer e quando jejuar, quer definir como se vestir e como falar, quer discriminar o tipo e a freqüencia do sexo, interferindo o tempo todo no processo de decisão do ser humano. Como um vírus de computador, a crença acaba por ocupar todas as rotinas e transforma sua vítima em um autômato, enquanto devora sua liberdade, sua consciência e sua vontade; mesmo pessoas que não se acreditam religiosas tem suas funções prejudicadas por contaminações viróticas, e, em raros momentos de maior lucidez, recriminam a cultura onde cresceram, mais ou menos cientes que o vírus da programação religiosa se abriga e disfarça em toda manifestação social.
É claro que a disposição natural de todos os seres vivos é para o prazer e a liberdade. É preciso sempre a imposição de força quando queremos que o animal deixe de viver sua verdadeira natureza para se transformar em um bibêlo de nossas carências. Da mesma forma, é preciso que a crença exerça uma grande força para transformar o ser humano no fantoche das manias de outro. A terceira semelhança é o desenvolvimento de mecanismos de defesa contra a disposição natural e saudável, assim como o vírus que aprende a se defender dos anti-corpos. Da mesma forma como os vírus se apropriam do funcionamento do nosso corpo para seu proveito, a crença toma conta dos nossos reflexos mais primitivos, o prazer, a dor e a raiva, para se proteger dos ataques que a razão e a percepção dos fatos lhe fazem. Toda crença promete um grande usufruto no futuro próximo ("sua vida vai melhorar") ou distante ("você vai para o céu"), ou um grande castigo, e dispara a reação de raiva quando outra pessoa tenta mostrar que o doente pode estar errado (as pessoas podem querer negar que têm uma doença ou um problema da mesma forma como negam os erros contidos em seu discurso religioso). Formas mais benignas da doença religiosa tentam condicionar a pessoa a ter um comportamento mais tranqüilo diante das contradições, lhe dando a gratificação de se sentir um ser superior, provido de douta ignorantia ("eu não sei porque minha religião não consegue explicar isso, mas sou humilde e reconheço minha falta de inteligência e de conhecimento"), e mesmo a fazem se sentir triste ou magoada (o resultado da tática virótica, entretanto, é sempre afastar o doente da fonte de razão saudável). A crença também tem uma reação anestésica de alienação, convencendo a pessoa de que seus sofrimentos têm uma razão de ser e serão recompensados. Assim, chegamos na quarta semelhança: como a pessoa doente perde a plena percepção da realidade e tem o uso da razão prejudicado, o crente passa a ter seu raciocínio distorcido, na tentativa de sempre confirmar aquilo que acredita, e tem sua percepção viciada nos aspectos da realidade que reforçam sua ilusão (a hidrofobia causa aversão à água da mesma forma que a religião causa aversão à razão).
Por fim, é da natureza de toda doença se propagar. A quinta semelhança entre crença e doença é que, assim como os vírus são programados para ocuparem um corpo e, a seguir, se propagarem em busca de novas vítimas, toda crença causa um comportamento compulsivo que leva a pessoa atacada a querer difundir sua religião. Crenças mais agressivas levam a comportamentos totalitários, onde as pessoas são forçadas a repetir o discurso dos doentes; outras tentam contaminar de formas mais benignas.
É claro que toda doença tem sua vacina. A vacina contra o contágio da crença é a educação filosófica e científica. Mas as adaptações viróticas também tem suas defesas contra isto; há tempos que o discurso religioso aprendeu a fazer com que seus escravos vejam e acusem as pessoas racionais de orgulhosas, cruéis, sem coração, arrogantes, fugindo assim do campo da argumentação onde não pode prevalecer e recorrendo a vilipendiações pessoais. A defesa da ignorância como valor foi a estratégia disponível à propagação do Cristianismo, entre as classes iletradas do Império Romano diante das denúncias filosóficas. Ser ignorante, ou, em linguagem eufemística, ser simples, passou a a ser considerado como ideal de virtude. O resultado histórico todos conhecem, pois os casos mais agudos da doença religiosa levam sempre à tortura e a morte. Em sociedades onde os doentes são minoritários, a religião em sua forma mais aguda leva à alienação social, cujo extremo é a forma de suicídio chamada de martírio; em sociedades onde a doença conseguiu dominar a maioria, ela causa o fenômeno da perseguição religiosa, cujo extremo é o assassinato (veja-se o texto sobre Hipácia).
É claro que muitos podem defender a doença religiosa, afirmando os benefícios de socialização que ela traz, em suas formas mais benignas. Trata-se, entretanto, de uma distorção da percepção dos fatos e um desvio do exercício da razão, de acordo com a quarta semelhança virótica. A doença religiosa só pode trazer tais benefícios em sociedades onde a estrutura civil falha em prover seus cidadãos com condições suficientes de vida e educação. O ser humano que recebe esses benefícios tem todas as condições de ser um elemento útil e benéfico. Imaginar que a religião é necessária à formação do caráter é uma idiotice que só um doente religioso acredita e defende, pois as sociedades mais religiosas foram as que causaram os piores desvios de conduta. A formação religiosa nunca preveniu o descaso, a incompetência e a corrupção das classes dirigentes de um país. Na verdade, a estória das organizações religiosas, notadamente as igrejas cristãs, é repleta das mais abomináveis distorções. Se a educação familiar e civil for incapaz de produzir um cidadão socialmente aceitável, a influência religiosa irá produzir apenas mais um hipócrita.
Quantos ateus você consegue achar na cadeia?
É claro que o preso (ou o bêbado, ou o dependente químico) que se torna socialmente regenerado como resultado da infecção religiosa (como fiz notar, quanto pior a situação da pessoa, mas suscetível de pegar a doença) simplesmente prova a minha afirmação de que o benefício religioso só ocorre onde a família e a sociedade civil falham. Nesses casos, a conversão (ou, antes, a infecção) da religião acaba sendo aceitável como uma remendo de segunda mão.
É claro que, por outro lado, a religião pode estar respondendo a um outro tipo de anseio, a busca humana pelo Mistério do Mundo, do qual o Mistério do Homem é apenas um detalhe, cifrado em símbolos, mitos e ritos. Nestes casos, a religião dá um vislumbre e mesmo, em alguns casos de maior dedicação, permite que se sinta o aroma das rosas místicas. Mas é um conhecer incompleto, mediado e inconsciente, que acaba matando a maravilha com respostas prontas... É que, nesse pequeno naco de ambrosia, aguardam os germes da crença, que destróem a mente e seus milagres.
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Sexta-feira, Agosto 27, 2004, 1:25 PM
"Certa vez, Sir John teve a temeridade de perguntar a Jones sobre o Misterioso Anjo Guardião que o treinamento da Aurora Dourada tinha a intenção de evocar.
- Geralmente - Jones disse - isto é explicado de três maneiras diferentes - para Probationistas, Neófitos, e aqueles de graus mais altos que ainda não o alcançaram. No seu caso, considerando a mistura de erudição e romantismo que eu detecto em seu temperamento, eu vou lhe dar as três explicações simultaneamente. Um: é uma metáfora que significa, aproximadamente, aprender a receber comunicações de sua própria mente inconsciente sem as distorções usuais. Dois: não é tão simples assim; o Santo Anjo Guardião fala com você através do seu inconsciente, mas é literalmente um ser separado de um status evolucionário tão afastado do nosso como nós estamos dos primeiros invertebrados. Três: sim, é uma metáfora, afinal, mas para alguma coisa tão fora da nossa consciência ordinária que não importa em nada se você pensa a respeito dele nos termos científicos da minha primeira resposta ou nos termos místicos da minha segunda resposta; ele transcende a ambas. Quando você tiver a experiência, você irá encontrar a sua própria metáfora para isto, a qual pode resultar em uma teoria científica nunca conhecida para o mundo antes, em uma obra de arte, ou apenas em uma mudança na sua vida em direção a santidade ou compaixão ou algo mais tradicionalmente 'religioso'. Do more of the work and ask fewer questions, if you want to advance faster."
- Robert Anton Wilson, Masks of the Illuminati.
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Quinta-feira, Agosto 26, 2004, 6:58 AM
É CRUEL MAS É VERDADE
Quase todas as frases aqui presentes foram retiradas do site da Sociedade da Terra Redonda, e copiadas com a ilustração da lista "Satan e Self".
PS: meu próximo post será sobre "O Caráter Virótico das Religiões".
"Um metafísico é um cego em um quarto escuro procurando por um gato preto que não está lá, e um teólogo é o cara que acha o gato." Anônimo
"Cristianismo: Mais seguro do que uma lobotomia, mas tão efetivo quanto uma." Anônimo
"A religião é a maior arma na guerra contra a realidade." Anônimo
"Os fundamentalistas negam que a evolução aconteceu; eles negam que a terra e o universo como um todo tem mais do que alguns milhares de anos, e assim por diante. Existem amplas evidências científicas que os fundamentalistas estão errados nesses assuntos, e que as suas noções de cosmogonia possuem tanta base em fatos quanto a Fada do Dente possui." Isaac Asimov
"Os criacionistas fazem parecer que no entanto uma 'teoria' é algo que você sonhou depois de ter ficado bêbado a noite toda." Isaac Asimov
"A verdade não tem que ser aceita com fé. Os cientistas não seguram suas mãos todo Domingo, cantando, 'Sim a gravidade é real! Eu vou ter fé! Eu vou ser forte! Amen.'" Dan Barker, ex-evangélico e autor
"Religião é uma coisa excelente para manter as pessoas comuns quietas." Napoleão Bonaparte
"Acreditar é mais fácil do que pensar. Daí existem muito mais crentes do que pensadores." Bruce Calvert
"A religião é apenas controle mental." George Carlin, comediante
"A religião é um subproduto do medo. Na maior parte da história humana, ela pode ter sido um mal necessário, mas por que ela foi mais má do que o necessário? Matar pessoas em nome de Deus não é uma boa definição de insanidade?" Arthur C. Clarke, autor
"Deuses são coisas frágeis; eles podem ser mortos com uma baforada de ciência ou uma dose de senso comum." Chapman Cohen
"A ignorância suplica confiança mais freqüentemente do que o conhecimento: são aqueles que sabem pouco, e não os que sabem muito que afirmam tão positivamente que esse ou aquele problema nunca serão resolvidos pela ciência." Charles Darwin, Introdução, The Ascent of Man, 1871
"Eu sou contra a religião porque ela nos ensina a nos satisfazermos ao não entender o mundo." Richard Dawkins
"Se render à ignorância e chamá-la de Deus sempre foi prematuro, e continua prematuro até hoje." Umberto Eco
"O jeito de ver pela fé é fechar os olhos da razão." Benjamin Franklin, Pai Fundador Americano, autor, e inventor
"Religiões são todas iguais - fundadas sobre fábulas e mitologias." Thomas Jefferson, Presidente dos E.U.A., autor, cientista, arquiteto, educador e diplomata
"A Maioria das pessoas preferiria morrer à pensar; de fato, muitas o fazem." Bertrand Russell
"A religião é vista pelas pessoas comuns como verdadeira, pelos inteligentes como falsa, e pelos governantes como útil." Seneca, o Mais Jovem (4? A.C. - 65 D.C.)
"O fato que um crente é mais feliz do que um cético não é mais pertinente do que o fato que um homem bêbado é mais feliz do que um sóbrio. A felicidade da credulidade é uma qualidade barata e perigosa." George Bernard Shaw
"Deus é o Asilo da Ignorância." Baruch Spinoza, filósofo Alemão-Judeu
"A ciência está aberta à crítica, que é o oposto da religião. A ciência implora para que você prove que ela está errada - que é todo o conceito - onde a religião o condena se você tentar provar que ela está errada. Ela te diz 'aceite com fé e cale a boca.'" Jason Stock
"Ser um ateu requer força mental e bondade de coração encontradas em um entre milhares." Samuel Taylor Coleridge, poeta, crítico, jornalista e filósofo Inglês
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Terça-feira, Agosto 24, 2004, 5:25 AM
"I say unto you: a man must have chaos yet within him to be able to give birth to a dancing star. I say unto you: ye have chaos yet within you."
- Nietzsche
O CHAOS DE ZOS.
To know the fundaments of Art is to know the path of all wisdom.
- The Zoëtic Grimoire of Zos
Podemos ver uma definição simplificada do que é ser humano na proposta: aquilo que fazemos depois de conquistados a segurança, o conforto e a procriação. Ou será que não? O uso da inteligência para a solução de problemas relacionados a esses três ítens bastaria para indicar o exercício da humanidade? Ou um gato que aprende a abrir a geladeira, o chimpanzé que desenvolve o uso de alguns instrumentos primitivos, juntos demonstram que a diferença entre o animal e o humano é quantitativa, e não de qualidade ou posse extraordinária?
When Art is wanting the beast is superior.
- The Zoëtic Grimoire of Zos
Se os animais possuem, em graus variáveis, a inteligência que permite contornar desafios não previstos na sua programação instintiva e demonstram curiosidade em relação ao novo, aparentemente carecem de apreciação estética. A Arte se qualifica assim como atividade humana por excelência. O ser humano se afirma na História pela primeira vez, não quando utiliza a tecnologia primitiva dos macacos, mas quando começa dar aos objetos do Mundo a forma de seus desejos, de suas iras e de seus medos. Lembrando que, para Freud, a raiva e o temor são manifestações subsidiárias no ser vivo que deseja sempre fruição plena.
Mind, body, ego and all things are formulated from desire; to desire forever...
- The Zoëtic Grimoire of Zos
The artist illumines unseen beauties and awakens us to the utility of beauty as pleasure of a more permanent kind.
- The Zoëtic Grimoire of Zos
A manifestação artística acessa nosso cérebro de uma forma direta, sendo esta a reação de prazer fisiológico causada pela percepção de cores, sons e suas combinações (estando aqui no limite do Real lacaniano) e pela posterior inserção de significados culturais. A inserção dos significados culturais demarca um problema de avaliação histórica, já que não sabemos se o homem esculpiu ou pintou antes ou depois de articular as primeiras palavras; e, por outro lado, como o homem moderno é introduzido na linguagem já na primeira infância, a inserção de valores imaginários e simbólicos (ainda segundo Lacan), ocorrendo durante o início do desenvolvimento cerebral pós-uterino, nos impossibilita compreender a possibilidade da fruição estética desvinculada da linguagem.
We find in Art experiences missed in life.
- The Zoëtic Grimoire of Zos
Mas, o que parecemos poder identificar na pré-história é o surgimento da Arte desde então vinculada à Magia. Percebemos na Arte Primitva, além da presença de genialidade estética e técnica, a manifestação instantânea e plena do que podemos chamar Complexo de Pigmalião: a imediata projeção de vida e personalidade no objeto criado, o assombro, não só dos outros, mas do próprio artista diante da aparente independência e iniciativa da coisa laborada. Por toda a História os seres humanos irão se ajoelhar diante daquilo que eles mesmos formaram, irão atribuir a inspiração artística a deuses e musas, e a matéria transformada foi desde então e sempre a via dupla, pelo qual o inconsciente se manifesta e chama.
My gods have grown with me.
- The Zoëtic Grimoire of Zos
Mas aqui fizemos a menção do processo mágicko, que a possibilidade da permanência do discurso através das gerações pela linguagem vai desenvolver em religião, como sendo apenas a dialética com o inconsciente no processo de atualização do humano; desconsideramos que a Magick possa ser, como afirmam seus praticantes, a possibilidade de uma intervenção prática no Real. Vamos a ela.
A afirmação de que a Magick extrapola a província subjetiva e pode atuar na realidade objetiva se dirige a duas classes de fenômenos:
a) fenômenos inorgânicos: as descrições clássicas de alterações atmosféricas, e acidentes diversos onde não interferem nenhum ser vivo. ( Paulo Coelho fazendo ventar é um exemplo recente, embora não original.)
b) fenômenos orgânicos: onde se enquadram todos os casos em que o Magista tenta influênciar os acontecimentos dentro de uma esfera social, ou a saúde e o comportamento de plantas e animais.
Nossa primeira dificuldade vem do fato de que as circunstâncias de uma operação mágicka são dificilmente reproduzíveis; o sucesso e o fracasso não podem ser adequadamente listados e avaliados; e o testemunho do Magista não é confiável, como podemos ver pelos exemplos dado por Agripa no "Filosofia Oculta":
"E, portanto, é possível naturalmente, e longe de todo tipo de superstição, sem nenhum outro espírito intervir, que um homem seja capaz de em pouco tempo significar sua mente para outro homem vivendo há uma distância muito longa e desconhecida; embora ele não possa dar uma estimativa do tempo em que se dá, embora por necessidade deva ser dentro de vinte e quatro horas; e eu mesmo sei como fazer isso, e o fiz com freqüencia."
"Se qualquer um tomar imagens artificialmente pintadas, ou letras escritas, e em uma noite clara colocá-las contra os raios da lua cheia, cujas semelhanças, sendo multiplicadas no Ar, e capturadas acima, e refletidas juntas com os raios da lua, qualquer outro homem que esteja a par da coisa, há uma longa distância vê, lê e conhece no mesmo compasso e círculo da lua; tal Arte de declarar segredos é mesmo muito proveitosa para cidades e vilas que esteão sitiadas, sendo algo que Pitágoras há muito com freqüencia fazia, e que não é desconhecida para alguns nestes dias; eu não excetuo a mim mesmo."
Onde se vê que, com a mesma convicção com que afirma poder se comunicar telepaticamente, ele diz ter projetado imagens na Lua. O magista pode não só estar simplesmente mentindo, como dando vazão à uma ilusão originada de sua instabilidade mental. (Não podemos ainda esquecer que Agripa, como antes dele Pico de la Mirandola, no final da vida rejeitou a Magick em sua totalidade, desde suas fontes até a prática contemporânea, tendo denunciado o estudo de Hermes como um pecado contra o Espírito Santo.)
O questionamento sobre a praxis mágicka é típico do Século XX, com seu desenvolvimento científico acelerado e melhoria generalizada do ensino, e se encontra na origem dos dois principais sistemas mágickos desenvolvidos então, Thelema e Chaos. Vamos a seguir descrever o surgimento da Chaos Magick, e comparar com a proposta thelemica no que se refere à praxis do magista.
Austin Osman Spare
"Fornicatus benedictus! Almighty Ashmodeus, existent of Chaos, ominous by thy name, thy kingdom come through me on earth. Lead me into all temptations of my flesh so I may trespass greatly into thy ways by my desires: for thou art all sex-seeking unity, thou mighty genitalia of creation that knoweth no satiation... grant thou my wish, for thou art all power, ecstasy and actuality. Amen!"
- The Zoëtic Grimoire of Zos
Spare nasceu na passagem do Ano Novo de 1888-89, em Snowhill, Londres. Seu pai era um policial, constantemente em patrulhas noturnas.
O envolvimento de Spare com Magick e Arte foi simultâneo e precoce. Ele foi iniciado na Feitiçaria por uma misteriosa mulher chamada Mrs. Paterson, uma velha advinha que afirmava ser herdeira de uma linhagem de bruxas de Salem que Cotton Matter havia falhado em exterminar. Spare chegou a chamá-la de "sua segunda mãe", e os relatos que deixou a creditam com poderes extraordinários, como o de projetar pensamentos em forma visível. Ela teria usado essa capacidade para "despertar" Austin na corrente mágicka na qual ele dedicaria o resto da sua vida, conjurando a imagem de uma belissima jovem com forte impacto sexual. A feiticeira, apesar de viver pobremente, não aceitava pagamento por seus serviços, além da moeda tradicional, e, apesar de seu vocabulário simples, tinha a capacidade de poder explicar as idéias mais abstratas.
A primeira publicação de Spare foi "Earth Inferno" em 1905, e ele rapidamente alcançou um lugar de destaque no meio artístico, tendo já exposto na Academia Real em Maio de 1904 e, a seguir, na Galeria Brutton. Seus desenhos eram cheios de imagens grotescas, mágickas e de forte conteúdo sexual. Sua fama o colocou em contato com Aleister Crowley em 1909, tendo se tornado um Probationista sob o motto de YIHOVEAUM, contribuíndo com quatro pequenos desenhos para a publicação do Equinox e um retrato do Mestre Therion. Mas a associação não durou, e mais tarde Crowley o definiria como um Irmão Negro, significando que não aprovava os objetivos da filosofia mágicka de Spare.
Após ter servido como artista de guerra de 1914 a 1918, tendo ido a serviço ao Egito, ele publica em 1921 o livro "Focus of Life", onde imagens que buscam despertar conhecimentos atávicos acompanham seus comentários mágicko filosóficos.
Ele estava no ápice do seu sucesso em 1924, quando publicou o "Anátema de Zos", banindo a si mesmo da comunidade artística. Ele retornou para a região de Londres onde cresceu, vivendo na pobreza e obscuridade onde encontrou a liberdade necessária para desenvolver sua filosofia e magick.
"Hostil ao auto-tormento, às vãs excusas chamadas devoção, Zos satisfazia o hábito falando em voz alta com seu Self. Uma hora, voltando a sua consciência familiar, ele se apoquentou ao notar ouvintes interessados - uma malta de mendicantes involuntários, párias, cafetões, adúlteros, barrigas distendidas, e os prevalentes doentes-grotescos que obtém na civilização. Sua irritação era muita, e ainda assim eles o incomodavam, dizendo: MESTRE, NÓS IREMOS APRENDER TAIS COISAS! ENSINA-NOS RELIGIÃO!
E vendo, com desprezo, a esperançosa multidão dos Crentes, ele desceu ao Vale de Stys, com prevenção contra eles como SEGUIDORES. E quando ele estava aborrecido, ele abriu sua boca em escárnio, dizendo:
- Ó vós cujo futuro está em outras mãos! Esta familiaridade é permitida não por vós - mas por minha impotência. Saibam que sou Zos o Pastor de Bodes, salvador de mim mesmo a das coisas de que ainda não arrependi. Sem convite ouviste meu solilóquio. Suportem agora meu Anátema.
Comedores de porcaria! Escorregaram, vocês, em seu próprio escremento? Parasitas! Tendo feito o mundo ruim, imaginam que são de significância para o Céu?
Desejando aprender - pensam vocês escapar da dor no estupro de sua ignorância? Pois do que ponho dentro, muito mais que inocência sairá para fora! Não laborando a colheita de minha fraqueza, devo eu satisfazer seus desejos cheios de moral?
Eu, que desfruto meu corpo com passo descuidado, antes me juntaria com lobos a entrar em suas casas empesteadas."
- O Anátema de Zos
Spare foi ferido em uma explosão na Segunda Guerra Mundial, perdendo temporariamente o movimento dos braços e parcialmente a memória. Ele teve que reaprender a desenhar, mas já em 1947 163 novas ilustrações foram exibidas com sucesso na Galeria Archer. Foi nesta época que iniciou sua amizade com Kenneth Grant, e começou sua última obra, "O Grimório do Culto Zos Kia", que ficou incompleta. Ele morreu em 1956, com 67 anos de idade. Na sua obra inacabada, ele definiu:
Our Sacred Book : The Book of Pleasure.
Our Path : The eclectic path between ecstasies; the precarious
funambulatory way.
Our Deity : The All-Prevailing Woman.
('And I strayed with her, into the path direct'.)
Our Creed : The Living Flesh. (Zos):
('Again I say : This is your great moment of
reality- the living flesh').
Our Sacrament : The Sacred Inbetweenness Concepts.
Our Word : Does Not Matter-Need Not Be.
Our Eternal Abode : The mystic state of Neither-Neither.
The Atomospheric 'I'. (Kia).
Our Law : To Trespass all Laws.
Existem alguns relatos lendários sobre os poderes de Spare, como a invocação de uma criatura elemental que aterrorizou dois jovens diletantes, um dos quais faleceu pouco tempo depois, enquanto o outro foi internado em um asilo; o Rev. Robert Hugh Benson, autor de novelas de ocultismo como "The Necromancers", ficou encharcado quando Spare convocou uma nuvem de chuva em dia de céu claro; e Everard Feilding, secretário da Sociedade de Pesquisa Psíquica, teve uma experiência memorável. Pedindo uma prova dos poderes de Spare, este concedeu em materializar um objeto que o outro manteria em segredo em sua própria mente. Spare desenhou um sigilo, que era o ideograma de um espírito familiar que o ajudava em questões telepáticas; tendo recebido um vívida impressão do objeto, elaborou um segundo sigilo. Logo a seguir um dos empregados de Feilding bateu na porta, trazendo o par de chinelos que ele havia imaginado.
Os elementos principais do sistema mágicko filosófico de Spare são a Sigilização mencionada, elaborada no Alfabeto do Desejo e nas cartas da Arena de Anon, a Postura da Morte, e os conceitos de Zos e Kia. O sistema tem fortes ressonâncias xamanicas, sendo constante nos relatos sobre Spare a menção de espíritos familiares e guias, como o chamado Águia Negra. Como artista, ele considerava que boa parte de sua obra era de origem ou influência mediúnica.
Within the Alphabet lies all the arbitrary abracadabra of our knowledge.
- The Zoëtic Grimoire of Zos
Tanto o Alfabeto do Desejo e sua derivação nas cartas divinatórias da Arena de Anon quanto a Postura da Morte se baseavam na idéia de que a realização mágicka ocorre através da ativação do inconsciente, a qual, para ser obtida, necessita que o praticante supere as barreiras psicológicas e, a seguir, esqueça seu objetivo. Para isso, Spare reduzia a descrição do seu desejo a um signo simples (o sigilo), sobre o qual se concentrava. A Postura da Morte foi definida no "Focus da Vida" como "uma simulação da morte pela total negação do pensamento, ou seja, a prevenção do desejo a partir da crença, e o funcionamento de toda a consciência através da sexualidade". Ainda:
"Pela Postura da Morte o corpo é permitido se manifestar espontaneamente e é árbitrário e imune a ação. Apenas aquele que está inconsciente de suas ações tem coragem além do bem e do mal, e é puro em sua sabedoria de sono profundo."
A Postura da Morte, representada em muitos desenhos de suas obras, foi descrita, ainda no "Focus da Vida":
- Postura da Morte: Sensação Preliminar.
"Deitado de costas preguiçosamente, o corpo expressando a emoção do bocejo, suspirando enquanto concebe um sorriso, esta é a idéia da postura. Esquecendo tempo com essas coisas que são essenciais refletindo a sua falta de significado, o momento além do tempo e sua virtude aconteceram. Ficando na ponta dos pés, com os braços rígidos, com as mãos amarradas nas costas, preso e forçando ao máximo, o pescoço esticado ... respirando profunda e espasmodicamente, até vertigem e sensação virem em rajadas, dando exaustão e capacidade à segunda. Olhando para seu reflexo até ele borrar e você não reconhecer aquele que olha, feche seus olhos (isto em geral acontece involuntariamente) e visualize.
A luz (sempre um X em evoluções curiosas) que se vê deve ser mantida, nunca deixando ir, aré o esforço ser esquecido. Isto dá uma sensação de imensidade (que vê uma pequena forma), cujo limite você não pode alcançar."
Spare também desenvolveu técnicas de êxtase sexual, pelas quais também buscava a ativação do inconsciente. O princípio fisológico do orgasmo e do black-out da Postura da Morte permitiriam, ambos, alcançar o estado de vazio que ele chamava "Neither-Neither", o estágio necessário para que as funções inconscientes, previamente programadas pelo sigilo, atuassem na realização do desejo. Ele indicou estas duas vias no simbolismo de Eros e Thanatos, Amor e Morte.
Foi já no "Book of Pleasure" que Spare começou a utilizar os conceitos de Zos e Kia, ambos de difícil compreensão. Como uma primeira tentativa, podemos tentar definir Kia como a unidade eterna da qual nos aproximamos durante o clímax da Postura da Morte, um estado de vazio que Spare chamava "ego atmosférico". "O Tempo não o muda, por isso eu o chamo novo", é uma das descrições usadas na introdução do livro. O símbolo do Kia é o Olho, que aparece em vários desenhos e tem múltiplos significados, como, por exemplo, a imaginação que inicia a operação mágicka, ou o olho da visão mística. Kia também é a combinação do olho esquerdo (feminino ou lunar) com o olho direito (masculino e solar) em uma unidade, representando a realização do estado de vazio pela união dos opostos, o verdadeiro Eu ("I", "Eu" em Inglês soa = a "Eye", "Olho"), livre das barreiras da crença (a crença em si mesmo, das quais todas as outras são subdisiárias).
"Kia: A absoluta liberdade a qual sendo livre é poderosa o bastante para ser "realidade"e livre a qualquer tempo: portanto não é potencial ou manifesta (exceto como sua possibilidade instantânea) por idéias de liberdade ou "meios" ["means"], mas pelo Ego sendo livre para recebê-la, sendo livre de idéias sobre ela e não por acreditar. O menos dito sobre isto (Kia) o menos obscuro é."
"De nome isto não nenhum nome, para designar. Eu o chamo Kia e não ouso chamar a isto como a mim mesmo. O Kia que pode ser experesso por idéias concebíveis não é o eterno Kia, o qual queima toda crença mas é o arquétipo do "self", a escravidão da mortalidade."
"O Kia que pode ser vagamente expresso em palavras é o "Neither-Neither," o Eu ["I"] imodificado na sensação de onipresença, a iluminação simbolicamente transcrita no alfabeto sagrado, e sobre o qual estou prestes a escrever. Sua emanação é sua própria intensidade, mas não necessidade, ele existiu e vai existir sempre, o quantum virgem - por sua exuberância nós ganhamos existência. Quem ousa dizer onde, por quê e como isto se relaciona? Pelo labor do tempo o que duvida habita seu limite. Não relacionado com, mas permitindo todas as coisas, ele elude concepção, e entretanto é a quintessência da concepção permeando prazer em significado. Anterior ao Céu e à Terra, em seu aspecto que transcende estes, mas não inteligência, ele pode ser considerado como o princípio sexual primordial, a idéia de prazer no amor-próprio. Apenas aquele que alcançou a postura da morte pode apreender esta nova sexualidade, e seu amor todo-poderoso satisfeito. Aquele que é sempre servil à crença, entupido pelo desejo, é identificado como tal e pode ver apenas suas infinitas ramificações em dissatisfação. O progenitor de si mesmo e de todas as coisas, mas se assemelhando a nada, esta sexualidade em sua simplicidade inicial, incorpora o duradouro. O Tempo não o mudou, por isso o chamo novo. Este princípio sexual ancestral, e a idéia do self, são um e o mesmo, esta semelhança sua exaction e infinitas possibilidades, a dualidade inicial, o mistério dos mistérios, a Esfinge nos portais de toda espiritualidade."
- The Book of Pleasure
Zos, por outro lado, representa o corpo de todo o alcance da consciência, simbolizado pela Mão, cujos Cinco Dedos remetem ao Pentagrama e à plena percepção dos cinco sentidos físicos. Ele descreve a plenitude da vida onde todos os potenciais se tornam realidade, e, aqui, nas idéias de Kia e Zos, de novo vemos o simbolismo de Thanatos, levando para uma experiência "atmosférica" além dos sentidos, e Eros tornando plena a experiência do estar no mundo.
What is all body but materialized desire? What are dreams but unsatisfied desires striving to foretell their possibility in despite of morals?
- The Book of Pleasure

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Sábado, Agosto 21, 2004, 4:56 AM
CHAOS MAGICK
"Chaos Magick is an extraordinary deconstruction of magick, semantics, and psychology designed to eradicate consensual belief structures and, using the energy freed by this act, glimpse the fractal contours of reality."
- Marik
Os princípios mágickos delineados por Austin Spare sobreviveram à sua morte, em parte graças aos esforços de seu executor literário Kenneth Grant (que vem utilizando material inédito deixado por Spare em suas obras, onde ainda mistura Thelema com as fantasias sci-fi e de horror inventadas por H. P. Lovecraft), e em parte graças a um movimento iniciado no final da década de 70, a partir da publicação de uma revista chamada "The New Equinox", liderada por Ray Sherwin e onde Peter Carroll era um contribuidor regular. Esses dois, juntos, formaram os "Illuminates of Thanateros", uma ordem que se propunha a graus onde o que contava era a realizaçào mágicka e não a autoridade. Peter Carroll descreveu o ritual de abertura da I.O.T.:
"Em 1976 em um depósito de munição abandonado no fundo de uma montanha em algum lugar do Rhineland, dois magistas, um Inglês, um Alemão anunciaram a formação de uma ordem mágica com a celebração de uma Missa do Chaos na companhia de uma dúzia de outros magistas. Logo após nós emergirmos das entranhas da montanha um tornado localizado atingiu a área imediata. Isto foi apenas um pequeno portento das coisas por vir."
Em 1986 Ray Sherwin "se auto-excomunicou", alegando que a Ordem estava se tornando a estrutura de poder que ele havia tentado evitar, e Peter Carroll se tornou o líder do "Pacto". Atualmente, existem várias organizações que seguem as diretrizes indicadas por Carroll nas duas obras fundamentais da Chaos Magick, "Liber Kaos" and "Liber Null and Pychonaut".
Além de implementar a técnica de sigilização, que se desenvolve na criação de supostos "servidores", construtos mágickos de inspiração cibernética que vieram substituir os espíritos familiares que os magistas tentavam atrair (existe uma certa paranóia de que tais servidores possam ganhar autonomia e se rebelar contra seu "mestre"), a Chaos Magick se caracteriza pelas suas idéias a respeito de Crença e Gnose.
CRENÇA
Nada é verdadeiro, tudo é permitido.
- Hassan Sabbah
Esta frase do líder da Seita dos Assassinos é inescapável quando estudamos Chaos Magick, já que, por supostamente definir tão bem a sua posição em relação à Metafísica, é citada na maior parte dos textos. Crowley já havia alertado contra a atribuição de significado à experiência mágicka:
"Neste livro é falado sobre as Sephiroth, e as Sendas, de Espíritos e Conjurações, de Deuses, Esferas, Planos, e muitas outras coisas que podem ou não existir. É irrelevante se elas existem ou não. Ao fazer certas coisas certos resultados seguirão; os estudantes são seriamente alertados contra atribuir realidade objetiva ou validade filosófica a qualquer um deles."
- Liber O vel Manus et Sagitae
Embora Crowley tivesse em mente a) a possibilidade científica de um dia poder se provar a realidade por detrás do fenômeno mágicko, e b) a idéia de que determinadas realizações poderiam levar a uma comprovação pessoal (AL I.58), a Chaos Magick, ao contrário, afirma que toda crença tem apenas um valor prático, na medida que permite ou favorece a realização mágicka. Considera-se que todas as crenças e filosofias são falsas no que concerne à verdade; a Chaos Magick não se interessa pelo projeto científico de Crowley, que enfatizou a recolha de dados para que uma futura descoberta possa lançar luz sobre os verdadeiros mecanismos do fenômeno mágicko, ela se preocupa com a eficiência, com a descoberta pessoal de cada um do que funciona para si ou não. Isto nos remte às velhas diatribes que buscavam diferecia o Mago, como aquele que sabe, que têm o conhecimento das razões por trás dos efeitos, do Feiticeiro, aquele que apenas sabia fazer. Entretanto, a crítica da Chaos Magick tem um valor inestimável, pois o suposto saber dos velhos magos era apenas uma fantasia derivada das idéias religiosas e filosóficas de um tempo pré-científico, onde Física e Metafísica tinham seus contornos confusos, e se baseavam ambas em erros de conhecimento.
Did not great Satyros tell me: "I am with you always, your way.
- Austin Spare
Assim, o magista pode utilizar símbolos e práticas de toda e cada cultura, dando valor mágicko inclusive a sinais e idéias inusitados. Pode-se dizer que o magista do Chaos mente para si mesmo até que a mentira se torne tão real que o permite acessar a fonte de poder mágicko e realizar seu intento. Depois, ele se liberta com uma gargalhada. A crença é, portanto, uma ferramenta de ocasião para se alcançar a Gnose necessária, mas, o que parece escapar na maioria dos textos sobre o assunto é que existe a meta-crença, essa sim fundamental, de que a Magick assim funciona. Apesar disto, magistas do Chaos frequentemente utilizam conceitos superficialmente entendidos de Física Quantica e da Teoria do Caos para explicarem o que estão fazendo, uma atitude que lembra muito as apologias pseudo-científicas do Século XIX. Mas não é só nesse ponto que a Chaos Magick é falha de originalidade... Já no Século XVI Cornelius Agripa já havia escrito sobre o papel da Crença em Magick:
"Portanto, aquele que trabalha em Magia deve ser de crença constante, ser crédulo, e não ser em nada descrente de conseguir o efeito. Pois, como uma firme e forte crença opera coisas maravilhosas, mesmo que seja em falsas obras, a desconfiança e o duvidar dissipam e quebram a virtude da mente do trabalhador, a qual é o medium entre ambos os extremos."
- Três Livros de Filosofia Oculta
"Chaos Magick does not use a concrete theoretical focus, the emphasis in Chaos Magick is on the Doing rather than the Explaining...Thus, in Chaos Magick a system of belief is a means to an end and is not an answer to the mystery of Life, the Universe and everything."
- D. J. Lawrence, The Chaos Cookbook
"...if you want a one-line definition with which most Chaoists would probably not disagree, then I offer the following. Chaoists usually accept the meta-belief that belief is a tool for achieving effects; it is not an end in itself."
- Peter Carroll
"When we say 'I Believe', it is usually a lip avowal from an infected mouth of borrowed precepts or simulations, as living an inexperience. Belief must be vital, livable, and as unquestioned as our blood-circulation or heart-throb."
- Austin Spare
GNOSE
Na sua origem, "Gnose" significava um "conhecimento dos mistérios divinos, reservados à uma elite". Era um conhecimento vivo e transformador, que abria os olhos da alma e devolvia suas asas perdidas. Seu efeito era libertador e redentor, e seu conteúdo primariamente religioso e de caráter revelado, destinado a um grupo de eleitos, o que lhe conferia um caráter esotérico. Mas, como a Chaos Magick despreza a possibilidade de um conhecimento real dos fundamentos do fenômeno magicko, Gnose passou a significar apenas o estado de consciência alterado onde o mesmo se torna possível. O ponto de partida desta nova elaboração é justamente as definições e experiências de Spare com a Postura da Morte e com o sexo, ponto em que se afina com Crowley. O estado de Gnose é considerado a Chave do sucesso mágicko, pela qual aquilo que aparentemente seria só um ato de superstição se torna um ato mágicko por excelência. O ato mágicko, seja ele qual for, é o signo do desejo do magista, que será magickamente carregado ao se alcançar a Gnose, e/ou é a fórmula pela qual a própria Gnose é alcançada.
"Se alguém tem Gnose, ele é um ser que veio do alto. Ele cumpre a vontade daquele que o chamou. Ele deseja agradá-lo, ele recebe descanso. Aquele que desta forma tem a Gnose sabe quando vem e quando vai. Ele sabe, como alguém que estava embriagado e ficou sóbrio, e, restaurado a si novamente, novamente se colocou em ordem."
- O Evangelho da Verdade
Existem incontáveis técnicas para se alcançar a Gnose, além dos indicados por Spare: drogas, exaustão física, hiperventilação, rotação (como os dervixes), pânico, meditação. O alcance da Gnose pode resultar em uma experiência mística, uma epifania ou revelação, mas o real objetivo da Chaos Magick é o que pode ser conseguido neste estado. Entretanto, considero que, mesmo a prática da Magick estando voltada para a simples realização de desejos, a progressiva transformação que ela traz acaba nos levando à percepção de que o próprio estado de Gnose, mais e mais profundo, traz à realização plena da qual os desejos são apenas manifestações parciais; ponto onde os mapeamentos da Kaballah, do Budismo, de Thelema se tornam novamente úteis, e a Magick volta a ser a via pela qual vislumbramos
...That wonderful first glance at anything which is fleeting but, if caught, suspires into great Art.
- The Zoëtic Grimoire of Zos
Ps: pouca gente sabe, mas a Estrela de Oito Pontas que simboliza a Chaos Magick foi inicialmente usada por Michal Morcoock como símbolo dos Deuses do Chaos nas aventuras de Elric de Melniboné. O símbolo dos Deuses da Ordem era uma Seta única apontando para o alto. Elric, um feiticeiro albino que tinha uma espada que se alimentava de almas, tinha por patrono Arioch, Arqui-Duque do Inferno.
SOACH ELUR ELUR SOACH
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Terça-feira, Agosto 17, 2004, 8:59 AM
''Ele obteve as melhores honras alcançáveis na arte e pelas armas; estava familiarizado com oito línguas, sendo mestre em seis. Sua inclinação natural foi desde cedo à uma consideração dos Mistérios Divinos. Aprendê-los e ensiná-los aos outros foi sempre sua principal ambição. Ele é distinto entre entre os conhecedores por seu cultivo da Filosofia Oculta, sobre a qual escreveu uma obra completa.''
- Vida de Cornelius Agrippa, Mr. Henry Morley
Henry Cornelius Agrippa von Nettesheim nasceu em 14 de Setembro de 1486 in Colônia. Morreu em Grenoble ou Lyons em 1534 ou 1535. Teve uma vida aventureira, tendo sido soldado, espião, médico e embaixador. Foi feito cavaleiro pelo Imperador Maximiliano. Sua obra mais famosa são os ''Três Livros de Filosofia Oculta'', publicados em 1531, mas também escreveu outras como a eulogia à mulher ''De nobilitate et praecelentia foemini sexus '', (''A nobreza e superioridade do sexo feminino''), a ''De incertitudine & vanitate scientiarum & artium'', (''A vaidade e incerteza das artes e da ciência'') e um comentário sobre o o ''Ars Brevis'' de Raymond Lull.
Os ''Três Livros de Filosofia Oculta'' tratam dos fundamentos da Magick renascentista, dando preciosas descrições sobre os Elementos e seus compostos, as virtudes ocultas das coisas, o Espírito do Mundo, as regências planetárias, ainda avançando na prática pela qual as Virtude Superiores são invocadas em benefício do magista, através de Talismãs e dos poderes dos Nomes Divinos que atuam nos Mundos Celestial, Intelectual e Natural.
''A Magia é a faculdade de uma virtude maravilhosa, plena dos mais altos mistérios, contendo a mais profunda contemplação das coisas mais secretas, junto com sua natureza, poder, qualidade, substância e virtudes, bem como o conhecimento de toda Natureza, e ela deve nos instruir no que se refere à divergência e concórdia das coisas entre si, a partir das quais se produz os mais maravilhosos efeitos.''
''Qualquer um que, portanto, é desejoso de estudar nesta Faculdade, se ele não for hábil em filosofia natural, pela qual são descobertas as qualidades das coisas, e na qual se encontram as propriedades ocultas de todo Ser, e se ele não for hábil em Matemática, e nos Aspectos, Figuras e Estrelas, das quais depende a sublime virtude e propriedade de toda coisa; e se não for conhecedor em Teologia, onde se manifestam essas substâncias imateriais, as quais dispensam e ministram todas as coisas, ele não pode possivelmente ser capaz de entender a racionalidade da Magia. Pois não existe obra que seja feita por mera Magia, nem qualquer obra que seja meramente magica, que não compreenda estas três faculdades.''
- Livro Um, Capítulo II
(ilustração do ''Alchemy Web Site'')
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